Com toda certeza, uma das piores dores que podemos sentir é a bendita dor de dente. Quem nunca já passou horas e até dias sentindo dor por causa de um dente?
Pois é, a grande maioria das pessoas já teve esse desprazer. E é muito comum que o dente de siso que doa bastante.
A cirurgiã-dentista Humaithe Dibia Benedetti Pinto, da unidade Tatuapé (SP )pertencente à rede de clínicas odontológicas Odontoclinic – que atua em 15 Estados brasileiros – esclarece algumas particularidades do siso. Chamado de terceiro molar, numa situação ‘normal’ o homem possui dois na arcada superior e dois na inferior, os últimos dentes de cada uma delas.
A seguir, Dra. Humaithe responde a algumas das dúvidas mais comuns dos pacientes.
Dente “em extinção”?
“O dente está sim desaparecendo. É muito comum atendermos pacientes sem o germe do siso ou com apenas um ou dois deles. Acredita-se que a causa disto é a própria evolução do ser humano, já que ele não é mais fundamental para a mastigação. Nossos antepassados tinham até um quarto molar porque, na ocasião, devido ao alto consumo de alimentos crus, a força mastigatória era muito maior”.
Fácil de ter cáries
“Realmente, o dente do siso é muito fácil de apresentar cáries devido à sua posição. É muito difícil higienizá-lo corretamente, ainda mais se o paciente tiver uma boca pequena”.
Anatomias diversas
“Até quando o assunto é sua forma, o dente do siso se torna intrigante. Ele é totalmente atípico: encontramos diversos tamanhos, formatos e posições na arcada. Há muita variação inclusive na raiz”.
O porquê da cirurgia
“Quando o assunto é cirurgia de extração, são muitas as questões que justificam sua indicação. A primeira delas é a falta de espaço, o que faz com que o dente nasça deitado, fique incluso (inerno) ou nasça parcialmente.
Outro caso comum é quando o paciente apresenta pericoronarite, principalmente os casos recorrentes – que vão e vem. A gengiva se descola do dente vizinho na tentativa de permitir a erupção do dente. Se ele não vem ou sai pela metade, este espaço pode virar um local de acesso à contaminação. E se a contaminação efetivamente acontecer, o paciente apresenta dor, inflamação, infecção e até inchaço interno e externo da boca.
Em pacientes que farão tratamento ortodôntico, muitas vezes, também se indica a remoção dos sisos para ganhar espaço e facilitar o alinhamento dos demais dentes.”
A extração do siso dói como todo mundo diz?
“Toda cirurgia ou extração não é agradável, mas nas cirurgias dos sisos apenas 20% dos casos apresentam um transoperatório (o processo durante a cirurgia) e pós-operatório ruins, com grande inchaço e dor. Aí entra também a experiência do profissional. O importante no momento da cirurgia é que o paciente confie no dentista e se mantenha tranqüilo, sem nervosismo ou ansiedade. A conversa é o melhor remédio…”
Cuidados pré-cirúrgicos
“Em geral, não se faz necessário um tratamento prévio de medicamentos, a não ser que haja uma pericoronarite, que deve ser tratada antes da cirurgia muitas vezes até com antibióticos, dependendo da intensidade da inflamação ou infecção. Nos demais casos, há cuidados mais importantes apenas no pós-operatório. São exceções os casos em que os pacientes apresentem algum problema sistêmico (de saúde geral)”.
O pós-operatório
“Normalmente, as recomendações são as seguintes:
- repouso moderado nos dois primeiros dias (evitar pegar peso e fazer atividades físicas para evitar hemorragias, dores e alveolites, inflamação ou infecção na parte óssea onde estava o dente);
- evitar comer alimentos quentes e duros para preservar a região;
- fazer compressas com gelo;
- tomar os medicamentos indicados pelo cirurgião-dentista (antiobiótico, anti-inflamatório ou analgésico se houver necessidade.
- não mexer na região operada.
Não são todos os pacientes que apresentam inchaço. Cada paciente reage de uma maneira muito particular, tanto para a dor como para o inchaço. E se o inchaço aparecer, ele melhora entre 3 e 5 dias.
O germe existe, mas o siso não nasceu. O paciente pode permanecer com ele assim mesmo?
“Se o siso estiver incluso ou semi-erupcionado, mas não traz nenhum risco de prejudicar outros dentes e o paciente não apresentar nenhuma sintomatologia, não há contra-indicação em permanecer com ele. É sempre prudente, no entanto, que o cirurgião-dentista faça avaliações periódicas – tanto por meio de exames clínicos como radiográficos”.
Por Paula da Paz
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